Acabei!
Acabei de acabar a minha dissertação.
Minha defesa será na terça que vem.
Mas ontem eu tive uma resposta, a resposta que eu precisava para entender de uma vez por todas por que estou aqui.
Fui imprimir minha dissertação e tive que carregar as três cópias por toda a extensão da Parada Gay (ou Gay Pride, como é chamada aqui). Sim, porque perder a parada nem pensar! E este ano por uma dupla razão: curtir a festa e extravasar toda a tensão dos últimos meses com a escrita do meu trabalho.
Foi um grande exercício, enorme! Escrever em francês ainda é e sempre será um desafio, acreditem!
Enfim. Ontem, bem depois do fim da parada, todos exaustos, atravessamos a cidade de metrô e um amigo francês começou a ler despretenciosamente meu trabalho. Eu até achei engraçado, comentei com os demais que não sei se faria o mesmo. Pegar um texto do nada, com um tema bem específico, e ficar lendo, lendo...
Quando descemos do metrô ele me chamou e disse: "Andréia! Isso aqui é o máximo! Está me fazendo perceber muitas coisas sobre a minha própria leitura, é tudo verdade o que você diz! Estou impressionado. Será que você pode me mandar o texto depois por e-mail? Quero reler com calma."
Acho que não preciso dizer muito. Acho que não é assim tão fundamental dizer o quanto isso mexeu comigo. O quanto o meu sentimento de missão cumprida clareou a minha necessidade de ficar. Sim, eu fico. E com a sensação de missão cumprida. Porque meu objetivo sempre foi esse, tornar útil a minha teoria. Fazer alguém e, principalmente, eu mesma repensar muitos aspectos ligados à leitura.
Certamente na terça-feira a empolgação não será a mesma. Estarei diante das duas maiores especialistas de leitura em língua francesa da atualidade. E elas terão um olhar crítico sobre meu trabalho. Encontrarão falhas, darão sugestões, mas agora consigo sentir que não conseguirão me desencorajar.
Independente da nota que me darão, já valeu a pena.
Sim, valeu. Valeu muito.
dimanche 28 juin 2009
mardi 16 juin 2009
E de repente
eu entristeço. Tenho esse direito, será? Porque não me dou esse direito. Sou um tanto como minha mãe. Toda aquela mania de abraçar o mundo que ela sempre teve e que eu sempre condenei - porque sei que no fundo somos falíveis, graças a Deus -, estou herdando. E não é inconsciente!
Período tenso. Muitas mudanças. De-fi-ni-ti-vas. Mudança física. De espaço, não de corpo. Mudança intelectual. E que assim seja. Mudança interior também. Como amadureci, meu Deus! Como me descobri do lado de cá. Como percebi coisas que nunca havia notado! Como cresci! (e essa parte também não é física, obviamente).
Mas a essência, essa é a mesma. Que assim seja? Talvez... mas é. E nisso não haverá mudança.
E a tristeza? De onde vem? Sensação de dar murro em ponta de faca. Sim, de novo isso. E dessa vez não são coisas do coração. Coisas da razão. Sensação de que o lado de cá não me pertence e de que o lado de lá talvez não me baste mais. E então fica o "e agora, José?"
O não bastar, obviamente, limita-se ao profissional. Porque amigos e família, ah isso me basta. E como queria tê-los agora. Sem a distância física. Essa que tanto incomoda. Que não se faz ausente, nunca.
Será que vou? Onde?
...
Período tenso. Muitas mudanças. De-fi-ni-ti-vas. Mudança física. De espaço, não de corpo. Mudança intelectual. E que assim seja. Mudança interior também. Como amadureci, meu Deus! Como me descobri do lado de cá. Como percebi coisas que nunca havia notado! Como cresci! (e essa parte também não é física, obviamente).
Mas a essência, essa é a mesma. Que assim seja? Talvez... mas é. E nisso não haverá mudança.
E a tristeza? De onde vem? Sensação de dar murro em ponta de faca. Sim, de novo isso. E dessa vez não são coisas do coração. Coisas da razão. Sensação de que o lado de cá não me pertence e de que o lado de lá talvez não me baste mais. E então fica o "e agora, José?"
O não bastar, obviamente, limita-se ao profissional. Porque amigos e família, ah isso me basta. E como queria tê-los agora. Sem a distância física. Essa que tanto incomoda. Que não se faz ausente, nunca.
Será que vou? Onde?
...
jeudi 28 mai 2009
Quotidien
Na segunda-feira tive minha última prova do ano. Saí toda contente da sala porque consegui fazer o exercício do Excel nos últimos minutos (sim, temos que fazer um bendito curso de informática no primeiro ano do master). Peguei o ônibus e fiquei em pé, nos fundos, entre dois bancos, pra não atrapalhar o fluxo. A senhora que estava sentada começou a mexer na bolsa e me dar umas cotoveladas. Nem liguei, estava de boa. De repente, mais uma. Então ela vira e, grosseiramente, como uma boa parisiense, me diz que meus cabelos a estavam incomodando. E eu, perplexa, tive a sensatez de apenas responder: "Mas não seria mais fácil a senhora me dizer isso com educação ao invés de me dar cotoveladas propositalmente?" (é claro que em francês minha frase não ficou assim tão bonitinha, mas dei meu recado). Logo em seguida eu desceria, bem na hora o ônibus deu um tranco e eu caí bem pro lado dela. Daí ela disse: "Ça suffit déjà, c'est honteux!" - o que significa, em português, mais ou menos: já chega, é demais isso!". Aí, todos no ônibus nos olharam, e eu a olhei bem nos olhos e só pude dizer: "Vous êtes folle, madame, complétement folle! Allez voir un médecin!". Essa tradução eu deixo vocês procurarem. Só digo que na sequência ela foi bombardeada de olhares que diziam: "Oui, elle est vachement folle cette vieille", e eu desci do ônibus com plena convicção de que ela era realmente folle, la pauvre dame...
Ontem fui fazer minha caminhada (pelo segundo dia consecutivo, que orgulho de moi-même!). Passei em frente a uma casa que está para vender e tem uma árvore carregada de cerejas! Lindas cerejas, beeeeeem vermelhas. E é lógico que umas quatro crianças já haviam descoberto isso um pouco antes de mim e lá estavam, trepadas, degustando as frutinhas suculentas. Achei legal. Lembrei de quando fazia isso com as amoras lá no Portal. Qual não foi minha surpresa quando na volta vejo uma viatura da polícia em frente da casa e dois, isso mesmo, dois policiais aos berros com as quatro crianças porque elas estavam trepadas na árvore comendo frutinhas. Olhei ao redor e vi que tinham alguns vizinhos nas janelas, de espectadores da cena (e por que não expectadores, não é, Gil, pois estavam também na expectativa, nitidamente). Eu atravessei a rua e pela primeira vez me senti totalmente estrangeira neste lugar. E dei graças a Deus por isso. Fiquei procurando entender a razão de tudo aquilo, tentando lembrar se já vi coisa parecida no Brasil e me perguntando por que aqueles caras estavam se submentendo àquele papel.
Ficarei óbviamente sem respostas. Sem resposta para a loucura da senhora e sem resposta para a loucura dos policiais e do vizinho que provavelmente os chamou.
Mas, mesmo sem resposta, estou orgulhosa de mim. De não ter perdido o controle em nenhuma das situações. Nem na que me envolvia diretamente, nem na que não me envolvia mas me deixou perplexa.
Sim, porque eu tenho problemas com injustiças. Problemas sérios. Mas, por enquanto, quero manter o controle. Quero fazer diferente, quero ficar indiferente às situações que me aterrorizam de alguma forma. Quero fazer o papel de espectadora, pelo menos por enquanto.
E vamos celebrar a estupidez humana.
Estupidez
Acepções
■ substantivo feminino
1 qualidade, característica do que é estúpido
2 palavra, ação, procedimento de pessoa estúpida, sem discernimento ou senso; asneira
3 Regionalismo: Brasil. grande indelicadeza e incivilidade; grosseria, descortesia
4 Rubrica: medicina. ausência de sensibilidade
(Fonte: Dicionário Houaiss on line)
Ontem fui fazer minha caminhada (pelo segundo dia consecutivo, que orgulho de moi-même!). Passei em frente a uma casa que está para vender e tem uma árvore carregada de cerejas! Lindas cerejas, beeeeeem vermelhas. E é lógico que umas quatro crianças já haviam descoberto isso um pouco antes de mim e lá estavam, trepadas, degustando as frutinhas suculentas. Achei legal. Lembrei de quando fazia isso com as amoras lá no Portal. Qual não foi minha surpresa quando na volta vejo uma viatura da polícia em frente da casa e dois, isso mesmo, dois policiais aos berros com as quatro crianças porque elas estavam trepadas na árvore comendo frutinhas. Olhei ao redor e vi que tinham alguns vizinhos nas janelas, de espectadores da cena (e por que não expectadores, não é, Gil, pois estavam também na expectativa, nitidamente). Eu atravessei a rua e pela primeira vez me senti totalmente estrangeira neste lugar. E dei graças a Deus por isso. Fiquei procurando entender a razão de tudo aquilo, tentando lembrar se já vi coisa parecida no Brasil e me perguntando por que aqueles caras estavam se submentendo àquele papel.
Ficarei óbviamente sem respostas. Sem resposta para a loucura da senhora e sem resposta para a loucura dos policiais e do vizinho que provavelmente os chamou.
Mas, mesmo sem resposta, estou orgulhosa de mim. De não ter perdido o controle em nenhuma das situações. Nem na que me envolvia diretamente, nem na que não me envolvia mas me deixou perplexa.
Sim, porque eu tenho problemas com injustiças. Problemas sérios. Mas, por enquanto, quero manter o controle. Quero fazer diferente, quero ficar indiferente às situações que me aterrorizam de alguma forma. Quero fazer o papel de espectadora, pelo menos por enquanto.
E vamos celebrar a estupidez humana.
Estupidez
Acepções
■ substantivo feminino
1 qualidade, característica do que é estúpido
2 palavra, ação, procedimento de pessoa estúpida, sem discernimento ou senso; asneira
3 Regionalismo: Brasil. grande indelicadeza e incivilidade; grosseria, descortesia
4 Rubrica: medicina. ausência de sensibilidade
(Fonte: Dicionário Houaiss on line)
vendredi 15 mai 2009
Achado!
Descobriiiiiii!!!!!
Désolée pela linguagem msnística, mas foi a empolgação da descoberta.
Andei pensando sobre o fato de ter uma certa resistência à poesia.
Isso não deve ser normal.
Sou letróloga, pisciana, leitora do mundo e amante de músicas. Não seria, então, contraditório o fato de eu me sentir incomodada quando as pessoas me perguntam sobre poesia?
Pois é... agora acho que não. Na verdade acredito ter encontrado o motivo.
Poesias são extremamente subjetivas, deixam um papel enorme para o leitor. E eu não sou feita disso. Sou feita de explicações, longas, detalhadas... E isso talvez pelo fato de eu mesma ser extremamente subjetiva como pessoa. Aquela coisa de estar sempre no meu mundo, tão imaginativo...
Então, eu confesso, sim, eu gosto de poesias, mas à minha maneira. Prefiro as prosas, as histórias longas, bem contadas, bem amarradas, ou nem tanto.
Et voilà, quoi.
Désolée pela linguagem msnística, mas foi a empolgação da descoberta.
Andei pensando sobre o fato de ter uma certa resistência à poesia.
Isso não deve ser normal.
Sou letróloga, pisciana, leitora do mundo e amante de músicas. Não seria, então, contraditório o fato de eu me sentir incomodada quando as pessoas me perguntam sobre poesia?
Pois é... agora acho que não. Na verdade acredito ter encontrado o motivo.
Poesias são extremamente subjetivas, deixam um papel enorme para o leitor. E eu não sou feita disso. Sou feita de explicações, longas, detalhadas... E isso talvez pelo fato de eu mesma ser extremamente subjetiva como pessoa. Aquela coisa de estar sempre no meu mundo, tão imaginativo...
Então, eu confesso, sim, eu gosto de poesias, mas à minha maneira. Prefiro as prosas, as histórias longas, bem contadas, bem amarradas, ou nem tanto.
Et voilà, quoi.
jeudi 7 mai 2009
Ponto de vista
Não vai ser uma tentativa de crítica do filme, não, longe disso. Mesmo porque, não manjo nada de cinema. Gosto das histórias, e só.
Ontem fui ao cinema sozinha. Isso está virando uma constante e nada tem de negativo. Posso me emocionar sozinha. Gosto da experiência. Nunca pensei que faria isso, mas é uma coisa tão normal por aqui que me adaptei. Aliás, adaptação é meu forte. E acho que posso dizer Graças a Deus.
Pois bem. O nome do filme é "Je l'aimais" (eu a amava). É um filme francês. Sim, gosto de filmes franceses. Gosto das histórias.
O que esse filme tem de especial? Talvez nada. Talvez ele seja até bem clichê, a não ser pela maneira como é narrado, mas não vou entrar nesses méritos aqui.
Uma mulher abandonada pelo marido vai passar uns dias na casa de campo com o sogro e as duas filhas e este decide contar-lhe sobre sua verdadeira história de amor. E não, a sogra não era a amada. Enfim. O resto é o previsível. A amante/amada era perfeita, era o contrário da sua esposa e o fazia viver.
E ele fugiu. Fugiu do amor. Ficou com a mulher, a casa e os filhos. Comodidade? Covardia? Sei lá... só sei que isso sempre me faz rever relacionamentos. A coisa da rotina, que sempre me incomodou. Dá a impressão de que o outro sempre vai procurar algo próximo de uma aventura, situações completamente fora do normal, que o façam realmente viver e se sentir feliz. Mas o objetivo do casamento ou da vida a dois não é exatamente esse? Compartilhar momentos incomuns? Então por que essa autodestruição? Por que buscar isso em um outro alguém?
Há algo de estranho, muito estranho no mundo...
Ontem fui ao cinema sozinha. Isso está virando uma constante e nada tem de negativo. Posso me emocionar sozinha. Gosto da experiência. Nunca pensei que faria isso, mas é uma coisa tão normal por aqui que me adaptei. Aliás, adaptação é meu forte. E acho que posso dizer Graças a Deus.
Pois bem. O nome do filme é "Je l'aimais" (eu a amava). É um filme francês. Sim, gosto de filmes franceses. Gosto das histórias.
O que esse filme tem de especial? Talvez nada. Talvez ele seja até bem clichê, a não ser pela maneira como é narrado, mas não vou entrar nesses méritos aqui.
Uma mulher abandonada pelo marido vai passar uns dias na casa de campo com o sogro e as duas filhas e este decide contar-lhe sobre sua verdadeira história de amor. E não, a sogra não era a amada. Enfim. O resto é o previsível. A amante/amada era perfeita, era o contrário da sua esposa e o fazia viver.
E ele fugiu. Fugiu do amor. Ficou com a mulher, a casa e os filhos. Comodidade? Covardia? Sei lá... só sei que isso sempre me faz rever relacionamentos. A coisa da rotina, que sempre me incomodou. Dá a impressão de que o outro sempre vai procurar algo próximo de uma aventura, situações completamente fora do normal, que o façam realmente viver e se sentir feliz. Mas o objetivo do casamento ou da vida a dois não é exatamente esse? Compartilhar momentos incomuns? Então por que essa autodestruição? Por que buscar isso em um outro alguém?
Há algo de estranho, muito estranho no mundo...
dimanche 26 avril 2009
Vontade de dizer mais, mas
Casaram-se.
Sim, casaram-se.
E foi ontem.
E não estive lá.
Não de corpo presente.
Mas inteira de alma.
Juntei minha alma à deles, disso tenho certeza.
Assim como também tenho certeza do amor dessas almas.
Sim, tive o privilégio de participar de tudo.
E de perto.
Até menos do que gostaria.
Conheci-os aos poucos.
Ele.
E ela.
Ele: guerreiro, simples, crânio, alma nobre, cidadão de passagem pelo mundo da gente por provável engano.
Ela: sensível, corajosa, generosa, com uma humanidade pouco encontrável entre humanos.
Ótima combinação, não?!
Talvez a mais bela e consistente da minha geração.
Por que não?
O que sei eu de tudo isso?
Pouco, bem pouco.
Mas o suficiente para reforçar a pieguice do felizes para sempre.
Ah, disso também tenho certeza.
E sem reticências desta vez.
Sim, casaram-se.
E foi ontem.
E não estive lá.
Não de corpo presente.
Mas inteira de alma.
Juntei minha alma à deles, disso tenho certeza.
Assim como também tenho certeza do amor dessas almas.
Sim, tive o privilégio de participar de tudo.
E de perto.
Até menos do que gostaria.
Conheci-os aos poucos.
Ele.
E ela.
Ele: guerreiro, simples, crânio, alma nobre, cidadão de passagem pelo mundo da gente por provável engano.
Ela: sensível, corajosa, generosa, com uma humanidade pouco encontrável entre humanos.
Ótima combinação, não?!
Talvez a mais bela e consistente da minha geração.
Por que não?
O que sei eu de tudo isso?
Pouco, bem pouco.
Mas o suficiente para reforçar a pieguice do felizes para sempre.
Ah, disso também tenho certeza.
E sem reticências desta vez.
mercredi 22 avril 2009
Então...
Hoje me bateu uma saudade, sabe... não sei de quê, mas bateu.
Saudade de infância. Uma saudade estranha. Saudade da inocência. Saudade de quando a saudade não tinha lógica, porque todos estavam perto. Saudade de família. Família unida mesmo. Ou nem tanto. Mas família próxima, família grande.
Coisas engraçadas acontecendo. Minha família tem uma história difícil, complicada, complexa... incompleta. Tenho pessoas difíceis de lidar ao redor. Mas tive um sonho hoje que me fez refletir sobre tanto, sobre tudo. No meu sonho, todos usavam uma blusa preta de bolinhas brancas, como aquela que eu usava ontem. A família estava lá. Tinha aliança em dedos. E eu sei dessa aliança e desses dedos. Mas há tanto tempo não os vejo. Nem os dedos, nem a dona dos dedos.
Hoje tive contato de primo distante. Contato rápido, adolescente, despreocupado. Mas veio depois do sonho. Então significou.
Tive uma notícia que me fez ganhar, talvez mesmo, minha estadia aqui nesse mundo do lado de cá. Tive participação na reconstrução da família alheia. Mas a do outro é mais fácil, né. Envolve menos a gente.
Saudade tenho até do que não existiu. Sim, porque mentes piscianas criam tanto que até as situações imaginárias deixam lembrança.
Texto desabafador/desabafante/desabafístico.
Sim, sou nostálgica também. Tenho saudade de quem talvez nem sequer se lembre da minha existência. Tenho memória sensorial. Coisa de cheiro principalmente. Sinto saudade de pessoas, lugares, situações. E a lembrança vem. Vem sempre. Vem rápida.
Deve ser influência do Graciliano. Da coisa do sensorial, das lacunas. Se ele pode deixar as lacunas, por que eu não posso?
Texto de saudade, que só vai servir pra isso. Pra falar sobre a saudade. Queria ser pivô de gente mais próxima. Gente querida, complicada mas querida. Queria poder ajudar quem está ali, tão pertinho e com saudade de quem também está pertinho, mas tão complicadamente longe ao mesmo tempo.
Queria que entendessem isso aqui. Mas nem saberão disso aqui. Então, deixo aqui. E só (de somente ou de sozinho, peu importe). Quem sabe...
Saudade de infância. Uma saudade estranha. Saudade da inocência. Saudade de quando a saudade não tinha lógica, porque todos estavam perto. Saudade de família. Família unida mesmo. Ou nem tanto. Mas família próxima, família grande.
Coisas engraçadas acontecendo. Minha família tem uma história difícil, complicada, complexa... incompleta. Tenho pessoas difíceis de lidar ao redor. Mas tive um sonho hoje que me fez refletir sobre tanto, sobre tudo. No meu sonho, todos usavam uma blusa preta de bolinhas brancas, como aquela que eu usava ontem. A família estava lá. Tinha aliança em dedos. E eu sei dessa aliança e desses dedos. Mas há tanto tempo não os vejo. Nem os dedos, nem a dona dos dedos.
Hoje tive contato de primo distante. Contato rápido, adolescente, despreocupado. Mas veio depois do sonho. Então significou.
Tive uma notícia que me fez ganhar, talvez mesmo, minha estadia aqui nesse mundo do lado de cá. Tive participação na reconstrução da família alheia. Mas a do outro é mais fácil, né. Envolve menos a gente.
Saudade tenho até do que não existiu. Sim, porque mentes piscianas criam tanto que até as situações imaginárias deixam lembrança.
Texto desabafador/desabafante/desabafístico.
Sim, sou nostálgica também. Tenho saudade de quem talvez nem sequer se lembre da minha existência. Tenho memória sensorial. Coisa de cheiro principalmente. Sinto saudade de pessoas, lugares, situações. E a lembrança vem. Vem sempre. Vem rápida.
Deve ser influência do Graciliano. Da coisa do sensorial, das lacunas. Se ele pode deixar as lacunas, por que eu não posso?
Texto de saudade, que só vai servir pra isso. Pra falar sobre a saudade. Queria ser pivô de gente mais próxima. Gente querida, complicada mas querida. Queria poder ajudar quem está ali, tão pertinho e com saudade de quem também está pertinho, mas tão complicadamente longe ao mesmo tempo.
Queria que entendessem isso aqui. Mas nem saberão disso aqui. Então, deixo aqui. E só (de somente ou de sozinho, peu importe). Quem sabe...
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